July 30th, 2007

Se melhorar, estraga...

 Uma dúvida existencial: vocês já cumprimentaram seres humanos que respondem "está tudo ótimo, se melhorar estraga!". Sempre que ouço essa máxima sinto-me intrigada: serei eu uma pentelha com complexo de Hardy (ó céu, ó vida, ó azar...) ou seria esse meu interlocutor uma pessoa otimista demais, daquelas que não se abala com nada nessa vida...

Inicialmente achava essas pessoas estranhas, por vezes acomodadas do tipo "qualquer coisa tá boa". Depois passei a considerá-las heróicas pelo seu pollyanismo de ver o mundo... Hoje, não sei o que pensar. Porque por mais easy going e otimista que eu seja, sempre acho que tem algo a melhorar...

Quem será que está certo: os hardies ou os pollyanos ??? Acho que um mezzo a mezzo seria o ideal !!!

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Posted by stelline at 01:23 AM | 3

July 25th, 2007

Capas de disco...

Depois de um post com várias visitas e discussões pertinentes como o da minha infância x Transformers, seguiu-se um texto nonsense postado numa madrugada durante o trabalho e posteriormente uma homenagem à Clarice Lispector e um quê de deprê no último texto... Chega !!! Agora é hora de voltar à velha forma e aos assuntos aleatórios, isso sim é a alma desse blog...

Tudo começou com uma brincadeira entre amigos onde alguém enviou uma capa medonha de um vinil jurássico do ManOwar (alguém se lembra deles?) no qual os integrantes da banda estão em trajes sumários com um estilo "viking meets caveman". Por sorte, encontrei essa pérola novamente para deixar que vocês possam julgar a "obra de arte" à vontade.

Pois bem, começamos a discutir capas  de álbuns e nossa relação com elas e percebi que a maioria das pessoas com quem falava tinha uma opinião do tipo "gosto, não gosto" ou então "feio, bonito" e, mais ainda, elas se espantavam com meus relatos sobre viagens acerca das capas como imaginar que eu podia voar na pipa de Kate Bush no "The Kick Inside" ou então que encontraria meu nome escrito escondido em algum lugar naquela bagunça da capa do "Sgt Peppers" dos Beatles...

 Ainda em determinado momento levei o assunto para outra roda de amigos que não a original da discussão e ouvi a máxima "pra que ligar para aquelas caponas de papel, um cd cabe em qualquer lugar e agora então, nem precisa mais dessas coisas...".

Desolação ! Como assim o cd é melhor? Onde essas pessoas estavam na época dos bolachões com suas capas de abrir em partes, com fotos gigaantes, o disco num saquinho com formato de meia lua? Ah, antes que me perguntem todos era quase trintões ou já passados dessa idade então, eles conheceram vinil, sim! Não havia desculpa para tal...

Enfim, opiniões alheias à parte, modismos e saudosismos foras, sim eu amava vinil. Ok que nada substitui a praticidade dos mp3s players e o mundo da música em suas mãos podendo conter desde pérolas trash dos anos 80 a maravilhas do mundo indie, mas ainda assim sinto falta dos bolachões e seus chiadinhos entre troca de faixas que me ajudavam adormecer enquanto eu estava naquela fase "numb" entre estar acordada e dormindo...

 Sinto falta de sentar no chão com aquelas capas gigantes curtindo cada detalhe da arte como relevo, textura (como aquele álbum do Elton John dos idos de 70 que era aveludado) ou então resistir à tentação de cortar o Sgt Peppers pra pegar as medalhas e condecorações e colocar na sua roupa como os rapazes de Liverpool. E cantar junto, acompanhando as letras naqueles encartes gigantes? Eu me sentia quase uma daquelas "menininhas de coral" segurando a capa e soltando lá meu gogó pra acompanhar...

Mas a tecnologia veio e não tenho mais minha vitrolinha de mala que eu abria em qualquer lugar. Os Beatles acabaram e Kate Bush não faz mais capas de cd lisérgicas... Elton John abandonou as capas de veludo e não se fazem mais discos dos Carpenters com as letras garrafais das músicas pra cantar junto !!!

Tudo bem, eu cresci... Mas nada me impede de continuar amando vinil e capas de LPs antigos... Muito menos de eu dedicar alguma parte do meu tempo, nas visitas à casa dos meus pais, em admirar meus velhos discos e imaginar se realmente sou uma doida sozinha nesse mundo que sente falta dos chiados e "puladas" de faixas...

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Posted by stelline at 02:53 AM | 3

July 23rd, 2007

Sobre as diferenças entre seres humanos...

Já sofri por ser diferente... Vezes por ser alta demais, branquela demais, desengonçada, com aparência pouco comum... Outras vezes senti na pele a repulsa que as pessoas têm, às vezes, das pessoas que pensam um pouco diferente ou se atrevem a dizer aquilo que pensam...

Não estou aqui para lamentar a vida ou fazer posts insanos como o anterior, muito menos fazer desse blog um muro de lamentações. É fato que eu tenho me perguntado, por vezes, o que fazem as pessoas que pensam diferente ou extremamente sinceras nesse mundo...

E embora, eu tenha jurado não ficar transformando o blog em lugar de textos colados e copiados, faço aqui uma licença poética para um conto maravilhoso da Clarice Lispector no qual as diferenças são tocadas de forma tênue e poética...

Salve Clarice e suas epifanias !


 

Tentação (Clarice Lispector)

Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.

Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.

Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

A menina abriu os olhos pasmados. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo. Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

Mas ambos eram comprometidos.

Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina.

Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

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Posted by stelline at 01:57 AM | 2

July 19th, 2007

Sobre perdas... filosofias estranhas durante um dia de serão...

 Perdi há dois meses um relógio vintage que amava...
Achei que ele nunca mais voltaria e eis que minha empregada resolve fazer uma limpa em minha sapateira e acha o objeto...

Na verdade eu não escrevo exatamente para falar do relógio, mas sim de sensações de perda: das complexas às banais...

Vejam bem, perder meu relógio é uma perda que não afeta ninguém fora eu mesma (até porque não consigo ser pontual de jeito nenhum!). Mas e casos como o acidente de avião que presenciamos ontem? Você acordar um dia com a vida revirada? Ou então descobrir uma doença súbita?

Seríamos realmente preparados psico e somaticamente para lidar com perdas e saber fazer delas oportunidade para reinventar-se e seguir adiante?

Sinto pelo post filosófico, porém percebo que tenho "perdido" tempo demais da minha vida dedicando à causas que não sei se procedem... Será que um emprego estável e status de vida é a saída?

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Posted by stelline at 03:48 AM | 1

Campanha relaxa e posta, eu aderi...

Apoiando a campanha do amigo Bruno em prol da liberdade de expressão e da internet... Mais infos em: 

http://caldinas.blogspot.com/2007/07/campanha-relaxa-e-posta.html

Posted by stelline at 03:40 AM | Pode falar...
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