June 30th, 2007
Japan pop show !!!
Não, não vou falar sobre o saudoso programa de televisão no qual representantes da colônia nipônica cantavam pérolas da música de sua terra de origem... Esse post vai dedicar-se a falar sobre um outro assunto que é bem recorrente ao famoso bairro paulistano: a gastronomia oriental.
Quando digo oriental entenda-se japonesa (óbvio), mas também chinesa e coreana. Incrivelmente as três convivem maravilhosamente bem tanto em restaurantes específicos como nos 3 em 1.
É de se pensar - e com razão - que juntar três especializações gastronômicas pode ser algo perigoso. Realmente há lugares de aparência um tanto quanto duvidosa no bairro de ruas sinuosas, apinhado de gente e de cartazes e placas com ideogramas misteriosos para leigos como essa que vos escreve...
Ocorre que uma matéria sobre gastronomia alternativa no bairro me atraiu. Já freqüentei o circuito gastrono-trash (categoria a que pertence o restaurante Chi fu, um chinês bom mas no qual você convive com sacos de lixo transitando livremente no salão) ou gastrono-firstclass (aqui posso citar o Taizan que é um pomposo restaurante com um quê vintage e preços altos comparados com a média do bairro).
Tal matéria, postada em um blog que recomendo a visita com freqüência dado o número de dicas ótimas que ele traz (Comes & Bebes - http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br) falava sobre esse circuito alternativo e abordava os famosos 3 em 1.
Lida a matéria, escolhemos um alvo: Galvão Bueno que se apresenta como uma churrascaria com a sugestiva promoção de almoço executivo a R$ 22,00 prometendo ostras frescas, churrasco e buffet de pratos da cozinha japonesa, chinesa e coreana. Seria uma fria?
Após subir uma escadaria entra-se em um lugar que podia - dada sua arquitetura - ser o espaço de alguma dessas igrejas envagélicas que se localiza em grandes metrópoles. Com a diferença é que eles tem um vallet (pouco disposto a trabalhar) na porta do local. Em uma primeira olhada trata-se de um restaurante
de aparência simples que não difere muito de um desses self services "para a massa" que encontramos em qualquer canto de São Paulo onde haja predominância muitos escritórios. Salvo a presença de uma "lâmpada de açougue" daquelas que não se vê a muito tempo por aí, você acharia que está em um desses restaurantes que você costuma a freqüentar no final do seu VR Smart ou Visa Vale...
Passada a primeira impressão, fomos à mesa. Confesso que me senti um pouco "estranha no ninho", pois eu e meu marido éramos os únicos ocidentais do lugar! Mas fomos em frente firmes e fortes descobrir as delícias do oriente que nos esperavam !!!
O buffet era extenso. Para pessoas que são, na essência, "boas de garfo" como eu, a primeira impressão é: por onde começo? Mas depois de alguns minutos de contemplação decidi começar por partes: pratos frios, especialidades quentes e por fim o churrasquinho. Vale aqui incluir outro item estranho aos buffets que conhecemos: as "disco balls" ornamentando a comida. Qual a utilidade? Não sei... Seriam as moscas alérgicas a esse visual de discoteca? A luz de açougue eu até conhecia, mas esse outro artifício, só lá mesmo para ver.
Ostras terminadas rumo aos sushis e sashimis... 
Nada de muito excepcional em termos de inovação: niguiris e sashimis de peixe branco e salmão e mais alguns sushis simples. Ok, em um lugar com os três tipos de culinária eu não esperava encontrar a variedade de um rodízio ou degustação de sushis. Gosto ok, variedade a desejar, mas ainda assim o negócio continua valendo a pena. Rumo aos pratos quentes agora !
Mix diverso: missô shiru, porco agridoce, chop suey, macarrão transparente e mais alguns itens comuns a restaurantes orientais. Novamente a mesma regra do sushi: nada excepcional, mas bom na medida considerando o custo x benefício! Após algumas explorações e pequenos bocadinhos, finalmente chegava a hora de testar o acessório mais curioso do restaurante: a churrasqueira!
Sim, quando entramos lá avistamos - eu esqueci de mencionar - mini fogareiros sobre as mesas. A função dos objetos que pareciam toca discos antigos (me lembraram vagamente minha vitrolinha de mala) eram oferecer calor suficiente para que os clientes pudessem preparar sua própria carne que fica em um espaço no buffet temperada e cortadinha esperando o preparo.
Como ficava difícil diferenciar os tipos de carne, fomos logo perguntando para o garçon que apresentou uma a uma e, percebendo que não devíamos ser grandes conhecedores das delícias ali expostas foi logo explicando "olha é tempero coreano, diferente do churrasco que vocês estão acostumados...". Agradecemos a proatividade do rapaz e fomos à luta!
Confesso que apanhamos um pouco do equipamento. Algumas pancetas (= bacon de tirinha cortado mais grosso) tostaram e viraram carvão, a costela ficou mezzo crua mezzo tostada, mas depois de algumas tentativas fomos pegando o jeito. Deu uma certa vergonha de ver senhorzinhos beeem velhinhos mandando brasa e a gente apanhando, mas a idade nos fará sábios também no quesito gastronomia, assim espero...
Realmente o gosto de churrasco em nada lembra nosso "churrascão" de final de semana com amigos regado a cerveja, pão, vinagrete e caipirinha. Ele soa mais agridoce e pode parecer estranho aos não acostumados. Considerando minha origem indonésia e meu pai que me entupiu de coisas agridoces desde a tenra infância o gosto da iguaria não me causou estranhamento mas sim um gosto de "quero mais" para entender melhor o tempero e, quem sabe, aprender para fazer em casa para receber os amigos!
Balanço final: vale a pena como experiência gastronômica. Ainda mais se a pessoa não conhecer ou não for muito dada a experiências estranhas. Afinal, dada a variedade de pratos, alguma coisa ela há de encontrar no buffet para saciar-se. O atendimento é bom, dentro do que se espera de um restaurante desse tipo e o espaço é grande, sem muvuca. Custo benefício também ótimo: gastar R$ 30,00 para comer à vontade e tomar um par de cocas é uma ótima pedida. O único contratempo é o cheirinho de "grelhado" que vai ficar em você, mas vale o trade off...
Não vou falar de filmes cabeça...
"I'm a man without conviction, I'm a man who doesn't know
E lá estava meu objeto do desejo: um transformer azul e vermelho liiindo à minha espera. Me postei à frente da tal vitrine e apontei para a moça "é esse!". Ela me olhou e acenou negativamente com a cabeça...
Perdi há dois meses um relógio vintage que amava...

Ainda em determinado momento levei o assunto para outra roda de amigos que não a original da discussão e ouvi a máxima "pra que ligar para aquelas caponas de papel, um cd cabe em qualquer lugar e agora então, nem precisa mais dessas coisas...".
Sinto falta de sentar no chão com aquelas capas gigantes curtindo cada detalhe da arte como relevo, textura (como aquele álbum do Elton John dos idos de 70 que era aveludado) ou então resistir à tentação de cortar o Sgt Peppers pra pegar as medalhas e condecorações e colocar na sua roupa como os rapazes de Liverpool. E cantar junto, acompanhando as letras naqueles encartes gigantes? Eu me sentia quase uma daquelas "menininhas de coral" segurando a capa e soltando lá meu gogó pra acompanhar...
Uma dúvida existencial: vocês já cumprimentaram seres humanos que respondem "está tudo ótimo, se melhorar estraga!". Sempre que ouço essa máxima sinto-me intrigada: serei eu uma pentelha com complexo de Hardy (ó céu, ó vida, ó azar...) ou seria esse meu interlocutor uma pessoa otimista demais, daquelas que não se abala com nada nessa vida...