

Faz tempo que não passava por aqui...
Por alguns momentos pensei em deixar isso aqui pra trás, mas uma força me impelia a passar aqui e admirar o blog mezzo morto, mezzo vivo e me dizia "volta, volta!". E resolvi voltar e contar em poucas linhas uma saga que se estende por dois meses já...
E tudo começou numa sexta-feira ensolarada, dessas que finge ser verão no meio do inverno... Trânsito moroso desde o comecinho da Teodoro Sampaio... Entre um xingamento e outro dois corpos inertes num carro... E de repente, cavalos...
Não sei porque não gosto de cavalos, nunca gostei deles... Já me acusaram de cruel de insensível mas é fato que são animais pelos quais não nutro qualquer tipo de sentimento... E lá estavam eles, lerdos, com policiais em cima tornando o trânsito ainda mais arrastado...
E chegamos ao prédio... Antigo, no estacionamento cadáveres de móveis... Uma caixa cheia de chaves mas nenhuma era do apartamento que fomos ver... Desgosto... E lá fomos pelo trânsito de novo...
Consternação: todo largo da batata sendo colocado abaixo... Camelôs recolhendo seu ganha=pão, a polícia tirando os resistentes e o apartamento em frente ao prostíbulo...
Grande, iluminado, mas com carpete muito feio... Sim, também não gosto de cavalos assim como não gosto de carpetes... E eles me causavam asco... Mas eu gostava do lugar...
Mas os corpos inertes não conseguiam decidir... Nem se o carpete era bom ou ruim, nem se cavalos eram belos ou feios... Eles não conseguiam decidir nada... Nem seus destinos, nem a razão pela qual já sabiam que as coisas não podiam seguir como estavam...
E eles ainda tentaram trocar palavras mas os cavalos e carpetes já apontavam o caminho que a história tomaria: um conto de fadas com final amargo, evasivo e sem um desfecho animador... tudo acabara.
E assim como as barraquinhas de camelôs caíam, as patas de cavalo se arrastavam subida acima, eu sentia um vazio expandir forte sobre o meu corpo e, por vezes, achava que não encontraria mais um caminho para minha vida...
E eu realmente pensei que era uma linha final de lugar nenhum...
Mas eu consegui: retomei as rédeas da vida, redescobri amigos, percebi minhas forças e joguei fora fraquezas, entendi as pessoas e repensei os caminhos que queria seguir...
E cá estou eu, de volta ao blog e suficientemente corajosa para reassumir meus pensamentos e devaneios aqui.
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